Dark Horse chegou ao debate público de um jeito que nenhum grande projeto costuma chegar, sem anúncio oficial, sem campanha e praticamente sem contexto. A cinebiografia de Jair Bolsonaro apareceu primeiro como um rumor, e até parecia fake news. Agora um registro no IMDb, e até mesmo um teaser, fica confirmado que o longa não só existe, como está muito mais avançado do que qualquer imaginava.

As imagens mostram Jim Caviezel recriando momentos emblemáticos, dramáticos e até inusitadamente cômicos da trajetória do ex-presidente, numa montagem que mistura épico político com certa estranheza tonal. E é justamente essa combinação que alimenta a grande questão: afinal, qual é a verdadeira proposta de Dark Horse?


Elenco Famoso

Diante das novas confirmações materiais, o filme ganhou maior repercussão inclusive na mídia gringa. Em geral, veículos como o The Guardian destacam o protagonismo de Caviezel.

Famoso por interpretar Jesus em A Paixão de Cristo (2004), o ator nos últimos anos tem se associado a projetos e discursos ligados ao cristianismo e a direita conservadora. Essa conexão culminou em seu último grande projeto Som da Liberdade (Sound of Freedom, 2023).

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As imagens também trazem rostos conhecidos, como Charles Paraventi, e a confirmação de Esai Morales, que recentemente brilhou como vilão em Missão: Impossível 7 e 8. Já Lynn Collins (Wolverine: Origens, John Carter) surge caracterizada de modo que remete a uma possível versão ficcional de Carla Zambelli, compondo um trio que reforça que o elenco de apoio não foi escolhido ao acaso.

Com essa revelação de detalhes e elenco, existe materialidade que o projeto não é improvisado pelo contrário, parece bem adiantado ou já perto da conclusão. É justamente isso que estranha: como um filme desse porte passou tanto tempo escondido?


A Verdade Revelada?

O que se sabe é que Cyrus Nowrasteh dirige, com produção e roteiro ligados a Mário Frias, figura próxima do ex-presidente. Nada disso impediria um anúncio tradicional, divulgação de bastidores, ou ao menos um comunicado formal.

Mas o filme aconteceu no escuro: filmagens discretas, equipe fechada, ausência total de estúdio divulgador e nenhuma indicação clara de formato.

Aparentemente, o projeto veio a tona com a gravação de cenas externas em São Paulo, quando boa parte do filme foi rodado em estúdio, e mesmo fora do Brasil.

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A pergunta inevitável é: qual é o destino real de Dark Horse? Cinema? TV? Streaming? Lançamento restrito? Até agora, nada é oficial. O idioma predominante nas gravações (inglês) aponta para ambição internacional, mas a ausência de distribuidora deixa tudo nebuloso.

Assista ao teaser:

Qual a história de Dark Horse?

O material divulgado mostra a facada de 2018, a estética da campanha, o ex-presidente como símbolo nacionalista e até momentos que viralizaram como meme ao longo dos anos.

As imagens sugerem que o período de internação e recuperação pode funcionar como dispositivo dramático, permitindo que o filme revisite, em grandes blocos de flashback, os momentos decisivos da vida do ex-presidente.

Assim, ainda que Jim Cavieze pareça fazer graça no vídeo de bastidores, a proposta é de um filme sério.

Segundo as informações que circulam nos bastidores, Dark Horse deve construir um grande paralelo entre o passado de Jair Bolsonaro como militar e sua trajetória até a presidência, usando esse elo como pilar dramático.

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A narrativa sugerida colocaria o personagem em missões que remetem à proteção da Amazônia, ao ambiente das forças armadas e a episódios que moldaram sua persona pública, criando uma justificativa simbólica para o título “Azarão” a ideia do candidato improvável que, contrariando expectativas e resistências, alcança a vitória política mais improvável do país.

Se isso se confirmar, o filme parece mirar numa construção de mito, recontando o caminho do outsider até sua consagração eleitoral.


Brincando com a realidade

Mesmo com o teaser finalmente dando materialidade às especulações e colocando um verniz épico sobre o projeto, um detalhe inesperado chamou atenção: erros evidentes de inglês na montagem.

Isso abre uma nova camada de dúvida sobre a intenção e o acabamento do filme. Seria um recurso estilístico, tentando reforçar a estética “não polida”, quase artesanal, evocando episódios da própria trajetória pública de Bolsonaro? Ou simplesmente o sinal de que o material foi montado às pressas por alguém que não domina o idioma, indicando certo despreparo técnico?

A resposta ainda está em aberto, e provavelmente só ficará clara quando surgirem mais detalhes sobre o estágio real da produção.

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