Se você ficou até o fim de Wicked 2 esperando uma pista escondida nos créditos, pode respirar: não tem cena pós-créditos. O filme não aposta nesse truque de “gancho secreto” para o futuro, até porque a história já chega ao fim abraçando de vez o que sempre interessou mais a esse segundo capítulo: menos espetáculo, mais sentimento.
Diferente do primeiro filme, que se encantava com o deslumbramento de Oz e com a reinvenção do clássico, Wicked: Parte 2 é um épico de amizade e consequência.
A narrativa avança em saltos temporais, costurando momentos-chave da vida de Glinda (Ariana Grande) e Elphaba (Cynthia Erivo) com os acontecimentos que o público associa ao Mágico de Oz, mas sem ficar presa à obrigação de “marcar” todas as referências. O enredo sabe que pode dialogar com o original, mas não vive em função dele.
O que o final realmente quer dizer?
No ponto em que encontramos as duas, a separação já é um fato consumado. Glinda virou a figura pública da “boa moça” de Oz, carregando a fama de bondade como um manto… e como uma prisão.
Elphaba, por outro lado, está isolada, rotulada como Bruxa Má do Oeste, condenada por escolhas que nem sempre foram só dela, mas também de um sistema que precisava de um vilão conveniente.
Com a proximidade do casamento com o Príncipe Fiyero (Jonathan Bailey), Glinda tenta uma última cartada: aproximar Elphaba do Mágico (Jeff Goldblum) e “resolver” o passado.
Só que esse gesto, que deveria ser conciliador, escancara o quanto as estruturas de Oz são construídas em cima de mentira, aparência e controle. A tentativa de reconciliação dá errado, a tensão explode, e tudo indica que cada uma vai seguir sua vida em lados opostos.
Assim proposta central de Wicked 2 não é “explicar” Oz, nem entregar uma tese política completamente desenvolvida embora o filme flerte, sim, com temas de poder, opressão e manipulação que lembram muito o nosso mundo.
É justamente aí que o filme mostra sua grande tese: não dá para consertar um mundo quebrado ficando longe de quem faz você enxergar as rachaduras.
Confira o trailer completo e dublado:
Amizade como feitiço mais poderoso
Ao acompanhar o desfecho, a sensação é de que a grande mensagem não está numa fala final, nem num texto depois dos créditos, mas no percurso inteiro das duas protagonistas. Glinda e Elphaba são forçadas a se olhar de novo, a revisitar suas escolhas, e a perceber que, mesmo separadas, uma nunca deixou de moldar a outra.
Esse segundo filme sugere que:
- conviver com alguém de verdade abalou certezas de Glinda;
- ser vista e amada por alguém como Glinda impediu Elphaba de se resumir ao rótulo de “má”;
- e que, diante de um sistema que prefere silenciar, o simples ato de permanecer ao lado de alguém já é um gesto quase revolucionário.
Há ecos de política, de revolta, de crítica social? Sim, em vários momentos. Mas Wicked: Parte 2 não se instala totalmente nesse lugar. Ele toca, sugere, insinua e volta sempre para o vínculo central entre as duas.
Por isso, quando as luzes sobem e os créditos começam, a sensação é clara:
não há cena extra, porque a mensagem já foi entregue. O que fica não é um teaser do que vem depois, mas a ideia de que certas amizades são tão intensas que mudam nossa forma de existir no mundo. E isso, no fim das contas, é o verdadeiro feitiço que o filme quer deixar com você.
Wicked: Parte II — ou Wicked: For Good — estreia em 20 de novembro de 2025, com distribuição da Universal Pictures e versões dublado e legendado.

