Aos 69 anos, mais de cinco décadas depois de seu primeiro desfile, Mestre Ciça se tornou enredo e campeão do Carnaval. Mas afinal, quem é o homem por trás da batida que ecoa na Sapucaí?

Conhecido na comunidade do samba como Ciça e também pelo apelido “Caveira”, que transformou em amuleto — Moacyr Silva Pinto construiu uma das carreiras mais longevas e respeitadas da história do Carnaval carioca.

Da São Carlos ao comando da bateria

A trajetória começou em 1971, quando desfilou como passista na Unidos de São Carlos, escola considerada herdeira da lendária Deixa Falar. Apenas em 1977 virou ritmista, tocando agogô de duas bocas.

Em 1983, a escola passou a se chamar Estácio de Sá, e foi ali que Ciça consolidou seu nome. Em 1992, já como mestre de bateria, brilhou no histórico desfile “Paulicéia Desvairada”, campeão daquele ano.

De lá para cá, comandou ritmistas por quase 40 anos, tornando-se o mestre de bateria mais longevo ainda em atividade. Passou por agremiações como União da Ilha, Grande Rio e Unidos da Tijuca, até fincar raízes na Unidos do Viradouro.

O Caveira que virou enredo campeão

Em 2026, a Viradouro transformou sua própria história em tema com “Pra Cima, Ciça”, celebrando seus 80 anos de fundação e homenageando o mestre. O resultado foi o 4º título da escola no Grupo Especial.

Durante o desfile campeão, Ciça protagonizou um momento histórico: comandou a bateria vermelho e branco do alto de um carro alegórico, com ritmistas tocando fora do chão imagem que entrou para a memória recente do Carnaval.

Mesmo sendo o homenageado da noite, manteve a rotina de sempre. Chegou cedo, organizou os músicos e aguardou sentado no meio-fio o início da apresentação.

Em uma era de enredos grandiosos e complexos, a escolha da Viradouro foi também um gesto de resistência: celebrar o samba na figura franzina, fumante inveterado e genial de Ciça. O Caveira que virou símbolo. O regente que virou história.

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