Nossa memória é feita de pequenos detalhes que muitas vezes só processamos com o tempo, e A Sombra do Meu Pai entende bem isso. Em vez de uma narrativa lenta, o filme constrói sua força a partir de pequenos gestos, olhares e momentos que parecem simples, mas dizem muito.
A história acompanha dois irmãos, vividos por Chibuike Marvellous Egbo e Godwin Egbo, garotos que são surpreendidos pelo retorno do pai ausente, interpretado por Ṣọpẹ́ Dìrísù. Ele os leva para um passeio até Lagos algo que, à primeira vista, parece apenas um raro momento de conexão entre eles.
Mas é nesse deslocamento que o filme encontra sua identidade. A jornada pela cidade funciona quase como um registro vivo, onde a câmera muitas vezes passeia junto com o olhar dos meninos encantados com a capital. O filme observa os espaços, os encontros e os detalhes do cotidiano, criando um retrato carregado de memória e pertencimento.
Ao mesmo tempo, a narrativa vai revelando, aos poucos, fragmentos do passado desse pai. Entre tentativas de proporcionar um bom dia aos filhos, surgem as dificuldades financeiras e as tensões políticas da Nigéria de 1993, que atravessam a história sem nunca tomar totalmente o controle.
Esse equilíbrio é o que sustenta o filme. Existe afeto, mas também distância. Existe leveza, mas nunca desconectada da realidade. E tudo isso aparece sem grandes discursos, apenas através do que é vivido em cena.
Com 94 minutos de duração, A Sombra do Meu Pai constrói uma experiência que encontra força justamente nesses detalhes em um dia que parece comum, mas que carrega muito mais do que aparenta.
Assim, além de mergulhar na jornada criativa de Akinola Davies Jr e Wale Davies, este é um filme que nos convida para nadar nas ondas de nossas próprias memórias.
Distribuído pela Filmes da Mostra, o filme estreia em 30 de abril nos cinemas brasileiros, com lançamento inicial em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Recife.


