Maldição da Múmia (Lee Cronin’s The Mummy) é um filme que reinventa a atmosfera deste monstro clássico. Não espere uma aventura com tumbas e maldições grandiosas. Aqui, o horror é mais próximo, mais físico e, em muitos momentos, difícil de encarar.

Quem espera algo mais próximo da aventura clássica pode estranhar a maior parte da história se passar dentro de uma casa no Novo México, deixando de lado o mergulho na mitologia egípcia.

A história acompanha Charlie Cannon, vivido por Jack Reynor, um jornalista marcado pelo desaparecimento da filha. Quando ela retorna anos depois, o que parecia um milagre rapidamente se transforma em algo perturbador.

Ao lado da esposa Lari (Laia Costa), ele começa a perceber que há algo errado enquanto a investigação da personagem de May Calamawy conecta tudo a um ritual antigo.

E vale assistir?

Dirigido por Lee Cronin, o filme aposta forte no body horror e em uma tensão constante baseada no desconhecido. É menos sobre sustos e mais sobre desconforto e isso funciona bem por boa parte do tempo.

Visualmente, há uma tentativa clara de estilo. Cronin trabalha bastante com profundidade de campo, colocando elementos em primeiro plano enquanto a ação acontece ao fundo, criando uma sensação de que algo está sempre à espreita.

Ao mesmo tempo, o filme não tem medo de ir para o lado mais visual e nojento do horror, explorando feridas abertas, dentes, unhas e até pele sendo arrancada de forma bem gráfica. É um tipo de abordagem que reforça o incômodo e deixa claro que a proposta aqui é causar reação, não só sugerir.

Também merece destaque o fato dos personagens do Egito se comunicarem em sua lingua nativa

É um filme com direção, com intenção, mesmo que nem sempre pareça totalmente livre.

O ponto que mais divide está no final. Depois de construir uma atmosfera pesada, o longa opta por um desfecho mais acessível, quase suavizando o impacto da jornada. Considerando os bastidores conturbados, fica a impressão de que essa mudança não foi totalmente orgânica.

No fim, Maldição da Múmia é um terror que funciona muito bem no caminho, mesmo tropeçando na chegada. E para quem curte algo mais físico, estranho e menos convencional, ele ainda pode ser uma boa experiência especialmente se você gostou de Evil Dead Rise.

Esse é um filme exala ter uma proposta, ainda que na execução esteja meio bagunçado. Entre a tensão e o absurdo grotesco, ainda é possível sentir uma alma.

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