Quando se fala em Wicked 2, a impressão geral pode ser uma: “lá vem mais um grande espetáculo de musical”. Mas, na prática, o filme segue por um caminho diferente. A sequência encerra a história começada no primeiro longa, volta a Oz, traz magia, músicas e figurinos, claro mas com um foco bem mais claro em fechar a narrativa do que em tentar ser “o maior show do ano”.

A pergunta é direta: vale assistir? A resposta depende um pouco do que você está procurando.

Menos show, mais história

Dá pra dizer que Wicked 2 é um filme mais interessado em conclusão do que em espetáculo.

Ainda é um musical, ainda tem canções e momentos de grande emoção, mas a sensação é que a direção não quer parar tudo a cada cinco minutos para um número gigantesco. O filme está ocupado em amarrar pontas, fechar arcos e ligar, de vez, essa releitura ao que o público já conhece de O Mágico de Oz.

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Universal Pictures

Isso gera um efeito curioso: se você é daquelas pessoas que não gostam muito de musical, aqui a experiência é mais dinâmica e cheia de ação. Não é um filme que parece uma cantoria sem fim. Já para quem ama exagero, palco, coreografia e voz poderosa o tempo inteiro, pode bater uma certa frustração. Fica a sensação de que o espetáculo poderia ir mais longe.

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A História Secreta de Oz

Um ponto marcante na estrutura de Wicked 2 é o uso de pequenos saltos temporais. A história não acompanha tudo em detalhes.

Em vez disso, mostra trechos, momentos-chave, quase como se preenchesse lacunas de uma narrativa que você já “deveria” conhecer de forma geral. Isso funciona como um grande bastidor de O Mágico de Oz. Assim o novo filme quer mostrar o que aconteceu por trás da versão clássica de 1939.

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Universal Pictures

O centro de tudo é a ideia que move Wicked desde o começo: a Bruxa Má do Oeste não é exatamente má, ela foi injustiçada. Elphaba (Cynthia Erivo) entra em choque com o Mágico (Jeff Goldblum) por motivos ideológicos, por não aceitar mentiras e manipulações.

O Mágico, por sua vez, surge muito mais como um charlatão habilidoso do que como uma figura grandiosa. Essa virada muda a forma como enxergamos os “papéis” da história original.

Esses saltos, porém, podem causar estranhamento. Em alguns momentos, fica a sensação de que o filme pula rápido demais de uma situação para outra. Eu mesmo senti falta de ver um pouco mais do que acontece entre certas cenas, mais tempo com algumas emoções, mais espaço para as transições.

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É como se o filme confiasse que você já conhece o esqueleto de O Mágico de Oz e estivesse interessado em mostrar só o que ficou nas sombras.

Os laços da realidade

Apesar disso, Wicked: Parte 2 continua sendo um filme leve de assistir. O tom é acessível, a narrativa é clara, e a relação entre Elphaba e Glinda (Ariana Grande) segura tudo.

No fundo, o que essa segunda parte faz é olhar para elas não como rótulos (“boa” e “má”), mas como duas pessoas que se encontram, se afetam, se magoam e são obrigadas a seguir caminhos diferentes.

A mensagem que fica é curiosamente dupla: pessimista e otimista ao mesmo tempo. Pessimista porque o mundo de Oz continua injusto, porque o poder continua distorcendo as coisas, porque nem todas as dores são resolvidas. Otimista porque a amizade, os laços que criamos e as pessoas que passam pela nossa vida podem não “consertar” o mundo, mas dão força para enfrentar o que ele tem de pior.

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É um filme que faz pensar em gente que já não está mais ao nosso lado, mas deixou marca. Pessoas que, mesmo fora da nossa rotina hoje, ajudaram a mudar quem a gente é. Wicked 2 fala disso com delicadeza, com alguns momentos mais intensos, mas sem ser confuso ou hermético.

Ele pode deixar a sensação de falta, de que poderia mostrar mais entre um corte e outro –, mas consegue comunicar bem o que quer dizer.

Então, vale assistir?

Se você espera um musical explosivo, talvez ache essa parte final mais contida do que gostaria.

Mas, se a sua curiosidade é rever Oz por outro ângulo, entender a bruxa injustiçada e acompanhar uma história de amizade que transforma e dói, Wicked: Parte 2 vale, sim, a ida ao cinema tanto para quem cresceu com o clássico quanto para quem está conhecendo essa versão agora.

Além dos nomes citados, o elenco também conta com Jonathan Bailey (Fiyero Tigelaar), Michelle Yeoh (Madame Morrible), Marissa Bode (Nessarose) e Ethan Slater (Boq).

Wicked: Parte II — ou Wicked: For Good — estreia em 20 de novembro de 2025, com distribuição da Universal Pictures e versões dublado e legendado.

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