Anaconda (2025) aposta em uma mistura curiosa de comédia, terror e metalinguagem para revisitar um dos títulos mais improváveis dos anos 1990 e faz isso de um jeito que dialoga diretamente com o público brasileiro, mesmo quando essa intenção parece surgir mais no resultado do que no roteiro em si.
O que é o novo Anaconda?
Na trama, Doug (Jack Black) e Griff (Paul Rudd) são amigos de infância que decidem enfrentar a crise da meia-idade refazendo o “clássico” Anaconda (1997), filme que marcou a juventude da dupla. O plano é simples: viajar até a Amazônia, filmar tudo de forma independente e provar que ainda são relevantes.
O problema começa quando uma anaconda real e gigantesca surge no set, transformando o projeto em um pesadelo tão perigoso quanto absurdamente engraçado.
É nesse contexto que entra Selton Mello, vivendo Santiago, um enigmático tratador de cobras que conhece como ninguém os perigos da região. Sua participação não é exatamente central à narrativa dos protagonistas americanos, mas tem peso simbólico.
Santiago funciona como uma ponte entre o filme “dentro do filme” e a ameaça real, sendo o personagem que entende e respeita a verdadeira força das anacondas. Porém entrando nos spoilers, tudo indica que ele morreu, atacado pela cobra, em uma cena já vista nos trailers, com um corpo arremessado contra o vidro de uma van.
O Final de Anaconda 2025
O terceiro ato abraça de vez o caos.
Com a ajuda de Ice Cube, que surge no set destruído, o grupo tenta de tudo para deter a criatura: explosivos, pirotecnia e, por fim, tanques de propano detonados em pleno confronto. A anaconda (verdadeira) é derrotada, explodida em pedaços.
O filme improvisado dos amigos é finalizado e apesar de serem acionados judicialmente pela Sony, a produção se torna uma espécie de cult amador. Cada personagem encontra algum tipo de fechamento, mostrando que mais do que um terror de monstro, a ideia aqui era falar sobre essa amizades entrelaçada por amor ao cinema.
As cenas pós-créditos explicadas
Mas Anaconda ainda guarda surpresas após o fim.
Na primeira cena pós-créditos, o filme abraça de vez sua metalinguagem: Jennifer Lopez aparece interpretando ela mesma, visitando Doug para dizer que adorou o filme improvisado e quer que ele dirija um reboot oficial de Anaconda. É uma piada interna que dialoga com o passado da franquia e fecha o arco cômico para o público internacional.
Já a última cena pós-créditos revela que Santiago está vivo. Em um close direto no rosto de Selton Mello, fica claro que o personagem sobreviveu ao ataque da cobra. Não há grandes explicações, apenas a confirmação.
Narrativamente, essa ponta deixa uma porta aberta para continuações, sugerindo que os personagens podem retornar à Amazônia e reencontrar Santiago em um novo embate com as anacondas.
Simbolicamente, o impacto é ainda maior: para o público brasileiro, é importante ver que o personagem que representa o país não termina o filme morto, especialmente em uma produção ambientada na Amazônia e vendida como uma grande aventura pop.
No fim das contas, Anaconda encerra sua história com explosões, piadas autorreferentes e ganchos claros, mas também com um aceno direto ao Brasil. E isso, para muitos espectadores, faz toda a diferença.


