Backrooms: Um Não-Lugar me deixou com aquela sensação rara de terminar um filme e imediatamente pensar: “ok, eu preciso conversar sobre isso com alguém”.

Mesmo baseado em uma famosa lenda de horror da internet, o longa consegue construir uma identidade muito própria, misturando estranheza, desconforto e uma sensação quase hipnótica de estar preso dentro de um lugar aparentemente vazio mas que nunca parece exatamente sem significado.

Entrando na história

Na trama, Chiwetel Ejiofor (o Mordo da Marvel) interpreta Clark, dono de uma loja de móveis à beira da falência. Entre o marasmo da rotina, um casamento fracassado e o sonho abandonado de se tornar arquiteto, ele tenta reorganizar a própria vida enquanto faz terapia com a Dra. Mary Kline, personagem de Renate Reinsve (de Valor Sentimental), uma psicóloga que também carrega seus próprios traumas.

Só que tudo muda quando Clark encontra, no porão da loja, um portal para um espaço impossível: um labirinto de salas e corredores intermináveis que lembram escritórios comuns, iluminados por uma forte luz fluorescente.

E talvez um dos maiores acertos do filme seja justamente não depender de você conhecer esse universo antes. Mesmo entrando completamente no escuro, existe uma boa chance de a proposta te capturar e continuar rondando a cabeça depois da sessão.

E vale assistir?

Sem entrar em spoilers, Backrooms funciona muito bem na sua proposta dramática, assim como experiência sensorial. O filme consegue colocar o espectador na inquietante em caminhar por corredores, cercado por iluminação artificial constante e uma arquitetura que parece estrategicamente estranha.

Assim, esse é um portal para deixar a mente fritando em perguntas sobre o que aquele lugar realmente é, suas dimensões e o que talvez exista além do que estamos vendo.

Enquanto isso, ainda que pareça um filme minimalista, as pistas vem exatamente de pequenos detalhes na trama mas também na forte interpretação dos seus personagens.

E talvez seja justamente por isso que a experiência funciona tão bem no cinema. Existe algo quase hipnótico em estar numa sala escura assistindo personagens presos em um espaço igualmente claustrofóbico e iluminado, enquanto você próprio começa a se perder naquela lógica estranha.

E eu juro que quando a sessão terminar, eu juro que sua vontade será de rebobinar para assistir mais uma vez.

Seja você alguém que conhece a lenda original ou apenas fã de terror e ficção científica, esse é um daqueles filmes que parecem pedir uma conversa depois dos créditos.

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Backrooms: Um Não-Lugar estreia nos cinemas em 28 de maio, com distribuição da Imagem Filmes.

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