Hokum: O Pesadelo da Bruxa chega aos cinemas como mais uma aposta do diretor Damian McCarthy, de Oddity: Objetos Obscuros, mas aqui trocando o horror mais direto por algo muito mais ligado ao mistério e ao folclore. O resultado é um terror minimalista, estranho e carregado de uma sensação constante de que existe algo errado naquele lugar.

Mas fica o aviso, daqui em diante vamos comentar o final completo do filme, incluindo spoilers e se existe cena pós-créditos. Se não tem medo, vamos lá!

Qual a história de Hokum?

A trama acompanha Ohm (Adam Scott), um escritor excêntrico que viaja até um hotel isolado na Irlanda para cumprir o último desejo dos pais falecidos: Deixar suas cinzas onde eles viveram bons momentos.

Porém, o local parece esconder algo muito maior, especialmente quando histórias sobre uma suposta bruxa ligada à suíte de lua de mel começam a surgir.

Famoso e cínico, Ohm inicialmente trata tudo com ironia, inclusive debochando de Alby, o carregador de malas do hotel, que sonha em ser escritor. Ao mesmo tempo, cria uma aproximação com uma atendente do bar local, Fiona.

É então que o filme passa boa parte do tempo brincando com a dúvida entre realidade e delírio. Isso porque depois de umas doses, o protagonista começa a sofrer alucinações cada vez mais intensas ligadas ao misterioso quarto.


O Mistério da Bruxa

Após uma dessas experiências perturbadoras, Ohm tenta tirar a própria vida durante uma alucinação e acorda dias depois no hospital, descobrindo que foi salvo justamente pelos funcionários que antes tratava com certo desprezo.

Quando tenta retornar ao hotel, descobre que o local foi temporariamente fechado, especialmente após o desaparecimento de Fiona. Com ajuda de Jerry, um homem que vive na floresta próxima e tinha alguma ligação amistosa com atendente, Ohm é convencido a voltar secretamente até a suíte amaldiçoada. Jerry acredita ter recebido uma visão indicando que respostas importantes estariam lá.

É nesse momento que o terror ganha força.

Ao explorar áreas escondidas do hotel, incluindo o porão e antigos corredores de serviço, Ohm encontra o corpo de Fiona em um elevador usado para entrega de alimentos. Ao lado dela, um gravador revela a verdade: Fiona estava grávida do gerente do hotel, Mal, um homem casado que insistia para que ela interrompesse a gestação.

Mas conforme se aproxima da verdade, Ohm passa a ser confrontado pelo próprio passado, por figuras fantasmagóricas e por uma presença especialmente perturbadora, uma espécie de homem-coelho, quase como um símbolo do trauma e da culpa.

Aqui fica nas entrelinhas que o protagonista acidentalmente matou sua mãe quando criança ao descobrir uma arma escondida do pai.

Sem conseguir escapar pelas saídas convencionais, ele tenta fugir pelo porão, onde finalmente entra em contato mais direto com a lenda da bruxa. Tendo aprendido sobre o folclore local, usa um círculo de giz no chão para se proteger da influência sobrenatural da entidade.

Quando Mal retorna ao hotel para impedir que a verdade venha à tona, tudo sai do controle.

Perseguindo Ohm até o subterrâneo, ele acaba sendo confrontado pela própria bruxa, que o acorrenta e o arrasta para uma espécie de submundo. Enquanto isso, Ohm finalmente faz as pazes com o fantasma da mãe, remove suas próprias correntes simbólicas e consegue escapar enquanto o hotel é consumido pelo fogo.

No lado de fora, ele é salvo por Fergal, depois que o homem escuta o espírito de Fiona chamando por ajuda.


O que significa o final?

O desfecho parece muito menos interessado em responder tudo e muito mais em deixar o espectador desconfortável.

No hospital, Alby visita Ohm e revela algo importante: foi ele quem colocou cogumelos alucinógenos no uísque do escritor na noite da tentativa de suicídio, numa espécie de vingança pelo desprezo que sofreu.

Ao mesmo tempo, Ohm percebe marcas reais de correntes nos pulsos, exatamente como as que viu durante os eventos sobrenaturais.

E aí o filme brinca com sua principal pergunta: o que foi real e o que pode ter sido apenas um estado alterado de consciência?

A fala anterior de Jerry, explicando que certas substâncias podem abrir a mente para o sobrenatural, deixa a resposta deliberadamente em aberto.


Hokum: O Pesadelo da Bruxa tem cena pós-créditos?

Não. Hokum: O Pesadelo da Bruxa não possui cena pós-créditos e também não parece interessado em construir uma franquia.

O filme termina de forma bastante fechada, mais preocupado em funcionar como um conto de horror folk minimalista, apostando em atmosfera, lendas locais e estranheza psicológica, do que em sustos constantes ou grandes reviravoltas.

Ainda existe uma ambiguidade no final, mas ela funciona muito mais como reflexão do que como gancho para continuação.


Hokum: O Pesadelo da Bruxa estreia nos cinemas brasileiros em 21 de maio, com distribuição nacional da Pandora Filmes.

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