Nem toda múmia precisa sair do sarcófago para causar medo algumas preferem entrar em você. Maldição da Múmia (Lee Cronin’s The Mummy) aposta exatamente nessa ideia, trazendo uma abordagem mais íntima, perturbadora e, em muitos momentos, bem mais grotesca do que o esperado.

A história gira em torno de Charlie Cannon (Jack Reynor), um jornalista cuja vida foi marcada pelo desaparecimento da filha Katie (Natalie Grace) no deserto. Oito anos depois, ela retorna mas o que deveria ser um reencontro emocionante rapidamente se transforma em um pesadelo. Ao lado da esposa Larissa (Laia Costa), Charlie percebe que há algo profundamente errado com a menina.

Em paralelo, o caso é acompanhado pela detetive egípcia Dalia Zaki (May Calamawy), que começa a conectar o caso a um ritual antigo envolvendo uma entidade ancestral.

Dirigido por Lee Cronin, o filme mergulha no horror físico e no desconforto psicológico, equilibrando momentos de gore explícito com uma tensão constante baseada no desconhecido.


Explicando a Maldição da Múmia

Se você está pronto para os spoilers, vamos lá!

No desfecho, a verdade vem à tona: Katie não apenas voltou diferente ela está possuída por um espírito ancestral maligno, ligado a um ritual que a transformou em receptáculo da chamada maldição.

Segundo os relatos de um professor, se trata de uma entidade que tem como habilidade causar o mal e a discórdia, e que não pode ser derrotada de uma vez por todas, mas sim contida em um processo que envolve usar o corpo de um humano vivo, que depois de receber as bandagens, é trancafiado dentro do sarcófago, onde deve permanecer, até que alguns dos sacerdotes percebam que é hora de trocar a entidade para outro corpo.

O caos que move a narrativa nasce no momento em que Katie é libertada do sarcófago. A partir daí, o espírito amaldiçoado começa a aflorar. Mesmo com o corpo fragilizado, a presença que habita a jovem se mostra cada vez mais dominante.

Essa dualidade entre um corpo debilitado e uma força sobrenatural implacável criar uma tensão constante. Afinal, não é Katie quem conduz suas ações, mas sim algo muito mais antigo e perigoso, disposto a mergulhar a família em um ciclo de caos e terror.

Isso explode em um climax onde a influência da entidade passa a ganhar força para também brincar com os outros filhos do casal.

O que acontece no final?

Diante disso, Charlie e Larissa se unem à detetive Dalia em uma tentativa desesperada de salvar a filha. O plano envolve um encantamento capaz de transferir a entidade para outro corpo.

E é aí que vem o sacrifício.

Entre golpes e gargantas perfuradas, o espirito monstra agora controle total do corpo da garota. Em um ato de entrega total, Charlie decide se tornar o novo receptáculo da criatura, assumindo o lugar da filha no ritual. A escolha salva Katie, mas condena o próprio pai.

O filme então dá um salto no tempo. Vemos Charlie agora trancado em um caixão no porão da casa contido, isolado e ainda possuído. Através de batidas em código morse ele consegue se comunicar. A maldição não foi destruída. Apenas mudou de lugar.

E assim a história acaba, ou quase isso. Confira nossa crítica:


Maldição da Múmia tem cena pós-créditos?

Não exatamente mas tem uma cena extra importante.

Em vez de uma cena pós-créditos tradicional, o filme entrega um epílogo que muda a leitura do desfecho.

Em um hospital prisional, vemos a feiticeira responsável por iniciar todo o ritual detida.

Acompanhamos a prisioneira recebendo a visita de uma funcionária que leva alimentos e medicamentos, em uma cena que sugere certa rotina dentro daquele ambiente.

Mas a situação muda rapidamente quando ela se vira para a câmera e percebemos que, na verdade, se trata de Larissa. Sem chamar atenção, ela aplica um tranquilizante na mulher e assume o controle da situação.

Vemos então a detetive Dalia guiando Charlie, ainda possuído, em uma cadeira de rodas, preparado para um novo ritual desta vez com a intenção de transferir a entidade para o corpo dessa mulher, encerrando de vez a maldição.

E agora sim sobem os créditos finais.

Então, valeu assistir?

No fim, Maldição da Múmia é um filme que intriga por boa parte do tempo, apostando forte no body horror e na tensão do desconhecido. Mas esse desfecho mais “otimista” não passa despercebido especialmente considerando que o longa enfrentou problemas nos bastidores durante sua produção.

Essa possível interferência ajuda a explicar a mudança de tom no final, que parece suavizar o impacto de concluir a história com Charlie aprisionado no caixão e carregando a maldição. A cena que vem na sequência acaba por trazer um olhar mais “comercial”, com a família que sofreu durante o filme enfim se afastando por completo da entidade, além de aplicar uma punição na feiticeira /sacerdotisa que iniciou o processo.

Ainda assim, o filme se sustenta pela proposta ousada e pela forma como reinterpreta um monstro clássico.

Maldição da Múmia está em cartaz nos cinemas, com versões dublada e legendada, e distribuição da Warner Bros.

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