Sim, Michael (2026) vale assistir mas é importante entender o que o filme quer contar. Dirigido por Antoine Fuqua e estrelado por Jaafar Jackson, o longa não tenta resumir toda a vida de Michael Jackson. Em vez disso, aposta em um recorte específico: a relação do artista com sua família e o impacto disso na sua identidade.
A narrativa acompanha o jovem de Gary, Indiana, crescendo entre talento e pressão. O filme destaca o carinho pelos irmãos e pela mãe, enquanto coloca em evidência o conflito com o pai, Joseph Jackson, vivido por Colman Domingo. E é aí que entra a tese central: Michael como alguém preso nesse núcleo familiar, mesmo já sendo adulto e mundialmente famoso.
Momentos icônicos como as eras de Off the Wall e Thriller aparecem, em grandes reconstruções, ainda que não tão detalhadas como os fãs mais nerds gostariam. O foco está no que esses períodos representam tentativas de ruptura.
Os bastidores da dança com zumbis em Thriller, a criação dos movimentos de Beat It e mesmo a parceria com Quincy Jones surgem como símbolo dessa busca por independência do astro.
O filme faz saltos no tempo, mas sempre retorna a esse eixo. Isso pode dividir quem espera uma biografia controversa. Aos olhos que buscam no filme um baú de revelações, pode sentir falta de fases mais polêmicas, já que a história se encerra no fim dos anos 80.
Por outro lado, como filme, funciona. Dá para imaginar alguém que curiosamente não tenha uma ligação anterior com o artista e que consegue sair desta produção absorvendo a história de um garoto reprimido a alguém que começa a viver a própria vida. É quase um coming-of-age em escala gigante.
Michael (2026) entrega uma experiência mais emocional do que enciclopédica. Pode evitar conflitos mais pesados, mas conta uma história coesa e envolvente.
Michael está em cartaz nos cinemas, com versões dublada e legendada, e distribuição da Universal Pictures.


