Se você viu O Filho de Mil Homens aparecer no catálogo da Netflix e ficou na dúvida sobre o que exatamente é esse filme, vale saber que não se trata de um drama comum.

A produção adapta o livro homônimo de Valter Hugo Mãe e chega como uma história sobre afeto, solidão, família e sobre o que significa “adotar” alguém – e a si mesmo – em um mundo cada vez mais desconectado.

Que filme é esse?

Dirigido por Daniel Rezende, o filme acompanha Crisóstomo, vivido por Rodrigo Santoro, um pescador que sempre viveu à margem da sociedade e sonha em ter um filho. Ele é um homem simples, muito ligado à natureza, mas que nunca aprendeu direito a se conectar com outras pessoas.

Na adaptação, Crisóstomo fala pouco: a ideia do diretor foi construir uma masculinidade diferente, baseada em escuta, empatia e delicadeza, em vez de força bruta ou distanciamento emocional.

A vida de Crisóstomo muda quando ele encontra Camilo, um menino órfão interpretado por Miguel Martines, que ele decide acolher. A partir daí, o filme se abre para uma reflexão que vai além da adoção formal: é sobre adotar o outro, adotar o mundo e, principalmente, adotar a si mesmo.

Em vez de uma narrativa tradicional de família, o longa propõe uma construção não convencional de pertencimento, em que pessoas quebradas, excluídas ou solitárias vão tentando se reconhecer e se aceitar.

Assista ao trailer completo:

Com narração de Zezé Motta, o filme preserva o tom poético da obra original, misturando momentos mais contemplativos com situações emocionais bem diretas. No elenco também estão Johnny Massaro e Rebeca Jamir, compondo esse mosaico de personagens que buscam afeto em um contexto em que ninguém parece saber exatamente onde é o seu lugar.

Com classificação indicativa de 16 anos e cerca de 2h06 de duração, O Filho de Mil Homens é menos sobre grandes reviravoltas e mais sobre um sentimento: a vontade de se conectar de verdade em uma época em que a gente olha mais para telas do que para os olhos das outras pessoas.

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