Se o cinema precisa ser desconfortável em Obsessão entende bem isso. O filme começa quase como um drama indie sobre solidão, rejeição e relações mal resolvidas antes de mergulhar lentamente em um terror cada vez mais perturbador.
Que filme é esse?
A história acompanha Baron “Bear” Bailey (Michael Johnston), um jovem tímido que trabalha em uma loja de discos e alimenta sentimentos pela amiga e colega de trabalho Nikki, interpretada por Inde Navarrette.
Depois de um dia difícil, ele encontra uma loja de artigos místicos e, ao invés de um cristal, compra um objeto chamado Salgueiro do Desejo (One Wish Willow), um galho supostamente capaz de realizar um desejo por pessoa. Em sua indecisão, Bear não entrega o presente e acaba ele mesmo usando para deseja rque Nikki o ame “mais do que qualquer coisa”.
E é justamente aí que o filme começa a desmontar emocionalmente.
E vale assistir?
Dirigido por Curry Barker, o longa trabalha essa transformação gradual de forma interessante. O começo possui uma energia quase melancólica e cotidiana, acompanhando personagens jovens tentando lidar com frustrações afetivas, solidão e inseguranças.
Aqui o terror aqui nasce justamente dessa distorção do afeto.
Existe uma sensação constante de desconforto ao perceber como algo aparentemente romântico vai se tornando uma prisão emocional e física. E o filme parece brincar bastante com essa ideia de desejo transformado em possessão.
Conforme a história avança, a produção abandona cada vez mais o clima de drama para abraçar imagens perturbadoras, explosões de violência e sustos com gritos. Aliás, o desenho de som é um dos pontos altos da experiência.
Com 109 minutos de duração e classificação 18 anos, Obsessão aposta pesado em temas adultos, incluindo violência extrema, conteúdo sexual, drogas e cenas envolvendo autoagressão.
Ao mesmo tempo, existe também uma estética bem ligada ao horror independente contemporâneo, podendo ser lido como uma metáfora para relações tóxicas e desconforto emocional. Confira nossa crítica:


