Quando Red: Crescer é uma Fera (Turning Red) chegou ao público em 2022, ele não parecia um filme “menor” da Pixar. Pelo contrário: era autoral, vibrante, diferente e carregado de identidade. Ainda assim, três anos depois, a pergunta segue no ar: Red vai ter filme 2?
Até o momento, a Pixar e a Disney não anunciaram oficialmente uma continuação. E, olhando para o histórico do estúdio, Red provavelmente está mais próximo do fim da lista do que de um retorno imediato.
A história acompanha Mei Lee, uma garota sino-canadense de 13 anos que vive o caos da adolescência — amizades, expectativas familiares, paixões e mudanças internas — materializado de forma literal: sempre que suas emoções fogem do controle, ela se transforma em um panda-vermelho gigante. A metáfora é direta, corajosa e pouco comum no cinema familiar: puberdade, menstruação, vergonha, desejo e identidade feminina, tudo tratado sem pedir desculpas.
Essa ousadia temática, no entanto, ajudou a tornar Red um dos filmes mais subestimados da Pixar, especialmente em mercados mais conservadores. O longa acabou sendo lançado em um momento estranho da história do estúdio, junto com Soul (2020) e Luca (2021), a chamada “tríade da pandemia”. Originalmente planejado para os cinemas, Red foi deslocado para o Disney+ por causa da Covid, perdendo o evento, o marketing tradicional e, principalmente, o apelo comercial que costuma sustentar sequências.
Mesmo assim, o filme foi muito bem recebido pela crítica, com 95% de aprovação no Rotten Tomatoes, e deixou sua marca cultural. O grupo fictício 4*Town virou fenômeno momentâneo, as músicas circularam fora do filme e a estética inspirada em animes e cultura asiática ajudou a consolidar uma nova linguagem dentro da Pixar. Curiosamente, Red quase não teve derivados comerciais: sem brinquedos no McDonald’s, sem grande linha de produtos — algo que Luca e Soul chegaram a ter.
Hoje, a Pixar está focada em franquias de retorno garantido (Divertida Mente, Toy Story, Os Incríveis), e Red não se encaixa facilmente nesse modelo. Seu impacto foi mais cultural e simbólico do que comercial. Ainda assim, ele abriu caminhos — e talvez sem Red, sucessos atuais que misturam cultura pop oriental e emoção ocidental, como Guerreiras do K-pop, nem estivessem correndo agora.
Existe espaço para um Red 2? Criativamente, sim. Comercialmente, é improvável — ao menos por enquanto.

