Avatar 3: Fogo e Cinzas (Fire and Ash) chegou, e agora podemos entrar em debates intensos, posso comentar que para mim, a maior decepção do filme atende pelo nome de Varang. E isso dói ainda mais porque a introdução da personagem é simplesmente impecável.

Quem é essa braba?

Sua introdução é poderosa. Varang (Oona Chaplin) surge imponente, habilidosa, implacável, estabelecendo rapidamente uma rivalidade direta com Neytiri e deixando claro que existe algo pessoal contra a família Sully.

A vilã mostra um fascínio pela força, pelas armas e pelo controle, que imediatamente chama atenção e dá novo fôlego ao conflito. Em poucos minutos, o filme sugere que estamos diante de uma antagonista capaz de mudar as regras do jogo.

Esse embate ganha mais peso quando os Sully, temendo pela segurança de Spider (Jack Champion), decidem levá-lo de volta ao território dos Omatikaya, o clã da floresta apresentado no primeiro Avatar.

Para atravessar Pandora, eles se aliam ao Clã Tlalim, outra novidade do filme. A jornada, porém, é interrompida pelo ataque do Povo das Cinzas, também chamado de Mangkwan.


Uma história de Fogo e Cinzas

Avatar 3 Varang Fogo A Geleia
Disney

Liderado por Varang (Oona Chaplin), esse clã rompeu com Eywa, a divindade natural de Pandora, após a erupção de um vulcão destruir seu lar e dizimar parte da tribo.

Convencidos de que suas preces foram ignoradas, os Mangkwan seguiram um caminho mais duro e violento, cultuando o fogo como a verdadeira força que muda o mundo. Varang surge como líder absoluta desse povo, tratada como rainha e disposta a tudo para garantir a sobrevivência do clã.

Segundo James Cameron, a proposta é mostrar que nem todos os Na’vi ocupam automaticamente o lugar de “bons” na história.

Com esse pano de fundo, a expectativa cresce. Varang chega a reposicionar até Quaritch, criando uma dinâmica em que ela parece ditar o ritmo da aliança entre os dois.

Só que essa promessa não se sustenta. Pronto para os spoilers?

A queda de Varang

Povo das Cinzas Mangkwan Avatar 3 A Geleia

A promessa inicial de uma grande antagonista não se sustenta. Com quase três horas de duração, Avatar 3 constrói uma saga extensa, e o arco de Varang, na prática, se encerra cedo.

A partir do momento em que sua aliança com Quaritch se consolida, a personagem vai sendo gradualmente apagada. Ela deixa de agir como força autônoma e passa a operar como suporte do vilão, com seu clã inteiro colocado a serviço dessa dinâmica.

Assim, depois da aliança, o Clã do Fogo passa a funcionar quase como uma guarda de elite do verdadeiro grande antagonista da trilogia, em uma relação que lembra, de forma inevitável, as hienas de O Rei Leão: barulhentas, ameaçadoras à primeira vista, mas sem real autonomia dentro da história.

Isso é especialmente frustrante porque Avatar 3 tem quase três horas de duração e constrói um grande arco épico. Ainda assim, Varang acaba diluída, e seu clã, que carrega referências claras a povos indígenas brasileiros como os Kayapó, termina retratado de forma mais bruta e simplificada. A crítica deixa de ser apenas narrativa e passa a tocar em questões mais delicadas de representação.

Talvez Varang ainda encontre espaço para crescer nos próximos filmes. Mas, neste capítulo, fica a sensação de uma personagem forte, cheia de potencial, que prometia renovar a saga, e acabou ficando aquém do que poderia ser.

Confira nossa crítica rápida:

Avatar 3 tem 3h 17m de duração, classificação indicativa de 14 anos. Distribuído pela Disney, o filme está nas versões dublado e legendado, além do esperado 3D.

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