Os barulhos do MSN, os fóruns, os vídeos toscos da internet antiga, são parte da nostalgia que o filme O Rei da Internet tenta capturar enquanto acompanha a ascensão de Daniel, jovem hacker que ficou conhecido como um dos criminosos digitais mais famosos do país.
Interpretado por João Guilherme, o personagem narra a própria trajetória quase como se estivesse contando uma grande aventura adolescente. Tudo acontece através de uma narração em off cheia de ironia, onde ele mesmo admite que o filme não teve orçamento suficiente para recriar todas as loucuras que viveu.
Só que a produção dirigida por Fabricio Bittar entende que falar sobre internet vai além de mostrar telas de computador. O longa mergulha em grafismos, memes, inserts visuais e referências que ajudam a transformar a experiência digital daquela época em linguagem cinematográfica.
E o crime compensa?
Ao mesmo tempo, o filme deixa um desconforto interessante no ar. Porque conforme acompanhamos Daniel ludibriando bancos, senhorinhas indefesas e vivendo uma rotina cercada de dinheiro, festas e excessos, surge inevitavelmente a pergunta, até que ponto o filme glamouriza esse universo?
Nesse aspecto, O Rei da Internet lembra bastante O Lobo de Wall Street. Não apenas pela ascensão de um golpista narrada em tom acelerado e divertido, mas pela forma como transforma diálogos simples em cenas visualmente envolventes.
A câmera está sempre em movimento, os enquadramentos buscam dinamismo e existe um cuidado estético que torna o filme uma experiência extremamente deliciosa de assistir.
Polêmico, exagerado e estiloso, O Rei da Internet talvez funcione justamente porque nunca tenta esconder o fascínio perigoso por trás da sua própria história. É como acessar um site adulto: Talvez seja errado, mas também um prazer.
O longa é indicado para maiores de 18 anos e já está disponível nos cinemas do Brasil. Assista ao trailer e sinta a pancada:


