O Festival Internacional de Quadrinhos de Angoulême costuma aparecer nas manchetes por causa de premiações, homenagens e anúncios de álbuns, sendo referenciado como . Mas, desta vez, o assunto é bem mais sério.
Vários artistas franceses passaram a defender um boicote ao festival de 2026, levantando uma pergunta incômoda: o que acontece quando um dos eventos mais importantes da nona arte passa a ser associado a gestão tóxica, abusos e silenciamento de vítimas?
No centro de tudo está a empresa 9èmeArt+, responsável pela produção do festival. É ela que aparece citada nas postagens, nos relatos e nas threads que começaram a circular nas redes sociais.
O que aconteceu?
Segundo esses relatos, o clima ruim não começou agora. A 9èmeArt+ vem sendo acusada de gerenciamento tóxico, falta de transparência financeira, suspeitas de nepotismo e de um declínio na qualidade das ofertas feitas aos artistas. A sensação geral é de desgaste: um festival gigante, com peso histórico, mas com bastidores cada vez mais difíceis de engolir.
Só que o ponto de ruptura não foi apenas cansaço ou frustração. O que transforma incômodo em revolta aberta é um caso específico, bem mais grave, ligado à edição de 2024.
O caso de estupro e a demissão da vítima
De acordo com os depoimentos que ganharam força online, uma funcionária da 9èmeArt+ foi estuprada por um dos contratados durante o festival de 2024. Quando ela decide denunciar o que aconteceu para a empresa, não encontra acolhimento — encontra punição.
Em vez de proteção, apoio ou investigação, a funcionária teria sido demitida por “conduta indevida”, com a justificativa de que “seu comportamento não era compatível com a imagem da empresa”. Em outras palavras: a mensagem passada é que a vítima é o problema.
Esse tipo de resposta virou a chave. Em um cenário em que o meio dos quadrinhos já vem discutindo violência sexual, machismo e abuso de poder, o episódio passou a simbolizar tudo o que muitos artistas enxergam como errado na maneira como o festival vem sendo conduzido.
Ao colocar a 9èmeArt+ no centro da polêmica, os artistas estão pedindo, na prática, por mudanças estruturais: um festival com mais transparência, mais responsabilidade e compromissos claros contra violência e assédio.

